A estreia de Galvão Bueno no SBT conseguiu um feito raro na televisão: antes mesmo de consolidar um novo programa, já começou derrubando o que vinha funcionando. A mudança de horário promovida pela direção de programação para acomodar o “Galvão FC” não apenas alterou a grade como desorganizou a audiência da emissora — e os números do Ibope mostram isso com clareza desconfortável.
O Programa do Ratinho, que vinha consolidado na vice-liderança e marcava 5 pontos ou mais em seu horário tradicional, perdeu força. Ao participar da estreia de Galvão e sofrer deslocamento na grade, Ratinho caiu para o terceiro lugar, atrás da novela da Record. Um efeito dominó previsível: mexer no que estava estável para apostar em um formato incerto e superado.
Já o “Galvão FC” estreou com 2,4 pontos e depois caiu para 2,1. Em determinado momento, às 23 horas, marcou 2,6 — enquanto a RecordTV registrava 3,8 no mesmo horário. A comparação é inevitável e simbólica: Galvão perdeu para uma novela turca exibida pela Record, “Chamas do Destino” (Alev Alev), trama centrada na superação de três mulheres após um incêndio devastador. Enquanto a ficção falava de reconstrução, o SBT via sua audiência queimar lentamente.
O contraste se torna ainda mais evidente quando se lembra que o horário agora ocupado por Galvão era justamente o que garantia ao Ratinho cerca de 5 pontos. Ou seja, a aposta na grife do narrador custou mais da metade do público que antes estava ali. A matemática é simples e cruel.
Outro dado que chama atenção foi a ausência de merchandising nos primeiros 33 minutos de programa e a demora para o primeiro break comercial, que só entrou por volta das 23h30, com apenas dois anunciantes — um deles do setor de apostas. Para uma estreia a audiência foi muito fraca e o cenário comercial não transmite exatamente confiança. Pouco público e intervalo tardio formam uma combinação que preocupa qualquer executivo.
Enquanto isso, no mesmo horário, Daniela Albuquerque na RedeTV marcava 0,9 e Neto na Band registrava 0,5 — números modestos, mas dentro do padrão de suas emissoras. O problema do SBT não é competir com Band ou RedeTV. É perder para a RecordTV e abrir mão de uma vice-liderança que vinha sendo sustentada por Ratinho.
A situação expõe uma questão maior: Galvão Bueno insiste em permanecer no centro do palco esportivo, acumulando programa, narração e protagonismo. O problema é que o público já não responde com o mesmo entusiasmo de outras décadas.
A dificuldade em imprimir ritmo às transmissões recentes e a tentativa de migrar para um formato híbrido de auditório indicam mais resistência em sair de cena do que reinvenção genuína. Galvão até tentou mostrar transmitir descontração cantando e dançando La Bamba, no final do Programa do Ratinho, mas nada adiantou.
Em televisão, nome forte ajuda — mas não faz milagre. E, até aqui, a estreia mostrou que tradição não garante audiência. Ao tentar manter o protagonismo a qualquer custo, Galvão acabou produzindo o oposto do que se esperava: enfraqueceu a própria estreia e ainda arranhou um dos poucos programas que sustentavam a vice-liderança do SBT.
Veja no link o vídeo de Galvão Bueno dançando e cantando La Banda, que viralizou no Portal Hugo Gloss, nome artístico do jornalista, apresentador, empresário e um dos maiores influenciadores do Brasil, Bruno Rocha:
https://drive.google.com/file/d/1bkv_jsqizVFjUxefLRtnbzKxsiWt4GDw/view?usp=sharing


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