Quem será o pior vice dessas eleições; Márcio França ou Silvia Abravanel?

Essas duas possíveis candidaturas a vice podem atrapalhar muito mais do que ajudar. Márcio França é um nome que o PT não quer abraçar, enquanto Silvia Abravanel corre o risco de trocar uma eleição praticamente certa para deputada por uma aventura frustrante na política

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A eleição de 2026 mal começou e já oferece ao eleitor uma pesquisa nacional que talvez seja mais interessante do que muitas sondagens eleitorais: quem será o pior vice destas eleições de 2026?

A pergunta pode parecer injusta. Mas a verdade é que ela ajuda a revelar um fenômeno curioso da política brasileira: a crescente irrelevância do cargo de vice. Poucas e raras vezes serviu para alguma coisa.

As especulações dos últimos dias são um retrato perfeito desse cenário. De um lado, Márcio França (PSB) pode acabar como vice de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo. Do outro, Silvia Abravanel (PSD) aparece como possível vice de Ronaldo Caiado (PSD), numa chapa pura do partido na corrida presidencial.

A primeira hipótese parece ter sido concebida por algum especialista em reaproveitamento eleitoral. Depois de disputar praticamente todos os cargos disponíveis no catálogo da política brasileira, Márcio França, conhecido como o socialista oportunista, corre o risco de transformar a candidatura a vice em mais uma etapa de sua longa peregrinação pelas urnas. 

Se a eleição não der certo, talvez finalmente conquiste o direito de pedir música no Fantástico, já que perdeu três eleições consecutivas aqui em São Paulo e bateu o recorde de apelidos eleitorais: Márcio Cubas, em 2018; BolsoFrança,em 2020, Biruta de Aeroporto, em 2022 e agora em 2026, o Bolacha, mesmo codinome do locutor esportivo Luciano do Valle.

Já a outra vaga de vice poderá ficar com Silvia Abravanel. Ela surge como uma solução que parece ter saído de uma reunião entre marqueteiros e produtores de televisão. A justificativa é simples: é conhecida, popular e tem apelo junto ao público da TV aberta, especialmente entre as classes C, D e E.

Afinal, se parte do eleitorado não se interessa pelo programa de governo, sempre existe a alternativa de reconhecer a apresentadora, filha de Silvio Santos. Entre as bandeiras já associadas ao seu nome está o combate à obesidade, tema que ganhou destaque em razão de sua própria trajetória pessoal. Em entrevistas e manifestações públicas, Silvia costuma se definir como uma ex-gordinha.

No meio político é a disputa para pior vice entre o Bolacha e a filha do Homem do Baú

Há algo em comum entre os dois casos. Nenhum deles está sendo discutido por suas contribuições a um eventual governo. O debate gira em torno de acordos partidários, tempo de televisão, reconhecimento de nome, composição política e conveniências eleitorais.

Ou seja: exatamente como acontece com a maioria dos candidatos a vice. Márcio França o eterno socialista oportunista e Silvia Abravanel uma nova oportunista no eterno mercado.

Poucas funções públicas conseguiram acumular tanta irrelevância institucional. Na prática, o vice costuma ser um personagem que passa a campanha prometendo ajudar, atravessa o mandato quase invisível e reaparece quatro anos depois para negociar uma nova posição.

As possíveis candidaturas de Márcio França e Silvia Abravanel acabam funcionando como uma espécie de experimento involuntário. Um representa o político profissional que parece sempre encontrar um novo espaço para disputar. A outra simboliza a transformação da popularidade televisiva em ativo eleitoral.

Mas, acima de tudo, ambos ajudam a expor uma realidade desconfortável: os partidos passaram tanto tempo tratando o cargo de vice como peça decorativa que agora o eleitor começou a fazer a única pergunta compatível com a importância que ele parece ter.

Afinal, quem será o pior vice de 2026?

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