Quando se fala na reconstrução da Sociedade Esportiva Palmeiras, é comum que os holofotes se concentrem nos anos mais recentes. Mas a história da virada alviverde começa muito antes de 2014. Ela tem raízes profundas no trabalho estratégico, visionário e corajoso de Luiz Gonzaga Belluzzo, personagem central em dois dos projetos mais transformadores da trajetória do clube: a parceria com a Parmalat e a construção do Allianz Parque.
A chamada “Era Parmalat”, entre 1992 e 2000, não foi apenas um ciclo vitorioso. Foi uma revolução administrativa e financeira. A parceria de cogestão com a multinacional italiana profissionalizou o futebol do Palmeiras, encerrou um jejum de quase 17 anos sem títulos e recolocou o clube no topo do Brasil e da América do Sul.
Belluzzo foi o intermediário e idealizador do acordo. Ainda nos anos 80, como conselheiro e secretário de política econômica, iniciou conversas que anos depois resultariam na aliança histórica. Como figura influente no conselho, ajudou a estruturar o modelo de cogestão que permitiu investimentos robustos e a montagem de elencos memoráveis.

O resultado da parceria com a Parmalat foi avassalador: 11 títulos de expressão, entre eles o Bicampeonato Brasileiro de 1993 e 1994; a Libertadores de 1999; a Copa do Brasil de 1998; a Copa Mercosul de 1998, os Torneios Rio-São Paulo de 1993 e 2000; a Copa dos Campeões de 2000 e os três Títulos Paulistas de 1993,1994 e 1996. O Palmeiras voltou a ser protagonista. Voltou a ser temido. Voltou a ser gigante.
Belluzzo o pai do Allianz Parque. O grande divisor de águas do século XXI
Se nos anos 90 Belluzzo ajudou a transformar o futebol, a partir de 2007 ele iniciou outra revolução, desta vez estrutural. Convidado pelo presidente Affonso Della Monica para comandar a diretoria de planejamento, liderou um grupo de conselheiros com a missão de transformar o Palmeiras economicamente, criando e valorizando ativos próprios.
Foi nesse contexto que surgiram as negociações com a WTorre, culminando no contrato firmado em 2008 para a construção do Allianz Parque.

Luiz Gonzaga Belluzzo um homem a frente de seu tempo. Um visionário. Um realizador.
O acordo foi estratégico e visionário: 30 anos de exploração pela construtora (até 2044), com 100% da arrecadação do futebol destinada ao clube, além de participação crescente nas receitas de eventos. Um modelo considerado draconiano no melhor sentido para o Palmeiras, garantindo proteção patrimonial e geração de receitas recorrentes.
O estádio foi inaugurado em 19 de novembro de 2014 e se tornou um divisor de águas.
No aspecto esportivo, o Palmeiras empilhou conquistas: desde a inauguração da arena, foram 15 títulos, entre eles Campeonatos Brasileiros, Copas do Brasil, Libertadores, Recopa Sul-Americana e Paulistas.
No aspecto financeiro, os números impressionam. Em 2019, antes da pandemia, a arrecadação atingiu R$ 161 milhões. Em 2025, segundo dados publicados no Portal UOL, o Allianz Parque arrecadou 61 milhões de dólares apenas com shows, alcançando a maior bilheteria da América Latina, com cerca de 1 milhão de ingressos vendidos.
A arena tornou-se referência mundial em eventos, figurando entre os estádios que mais recebem shows no planeta. Paul McCartney declarou que o Allianz está entre os três melhores locais para realização de shows no mundo. Parte significativa dessa arrecadação reforça o caixa alviverde, consolidando a sustentabilidade financeira do clube.

A moldura com a foto do Parque Antártica, o famoso jardim suspenso, e a foto do Allianz Parque, a fantástica arena do verdão
Somando os 11 títulos da Era Parmalat aos 15 conquistados após a inauguração do Allianz Parque, são 26 conquistas nacionais e internacionais diretamente ligadas a projetos que tiveram Belluzzo como mentor, articulador ou principal responsável. Tudo começou com a assinatura de Belluzzo. Mais do que números, trata-se de legado.
Luiz Gonzaga Belluzzo direta e indiretamente responsável por 26 títulos e um legado eterno
Belluzzo não apenas ajudou a montar times vencedores. Ele ajudou a criar as bases econômicas que sustentam o Palmeiras competitivo de hoje. Enfrentou resistências, críticas e incompreensões. Houve quem dissesse que o clube estava vendendo sua história. O tempo provou o contrário: estava garantindo o futuro.
Curiosamente, Belluzzo, o conselheiro que assinou a escritura do Allianz Parque não foi convidado para a inauguração da arena. Mas a história não se escreve com convites protocolares. Escreve-se com visão, coragem e resultados.
Entre livros, memórias e objetos que contam sua relação com o clube, Belluzzo guarda algo muito maior do que uma escritura emoldurada: o reconhecimento de milhões de palmeirenses que hoje vibram em um estádio moderno, veem um time forte e sentem orgulho de torcer para um clube estruturado.
A grande virada do Palmeiras não começou por acaso. Começou com planejamento. Começou com estratégia. Começou com Luiz Gonzaga Belluzzo.


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