Nem o Jornal da Globo, nas mídias sociais, conseguiu esconder o mico político de Márcio França

No fim, sobrou o cargo de vice-governador para Márcio França e sobrou Márcio França para ocupar a vice na chapa de Fernando Haddad

Por

A escolha de Márcio França para ser vice de Fernando Haddad produziu uma daquelas cenas que dizem muito mais do que qualquer discurso de campanha política. Na reportagem do Jornal da Globo, em suas mídias sociais, apresentada pela jornalista Renata Lo Prete, ficou evidente o desconforto de um político que passou anos tentando convencer o eleitor de que estava pronto para liderar São Paulo e agora aparece como uma alternativa de última hora para ocupar a vice.

A reportagem lembrou que França pretendia disputar uma das vagas ao Senado Federal ou o próprio Governo do Estado de São Paulo. Era esse o projeto político vendido por ele e pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda que durante vários anos foi presidida por ele e que hoje está sob o comando de seu filho, Caio França.

Mas a realidade acabou sendo outra. Estrangulado politicamente pelos partidos da coligação com o PT, Márcio França ficou sem opções. Depois da dificuldade de Fernando Haddad para encontrar um candidato a vice, França abriu mão da candidatura ao cargo que desejava para assumir a posição que sobrou na engenharia eleitoral da esquerda paulista.

A imagem política é devastadora. Um ex-governador, ex-ministro e eterno candidato que, após sucessivas derrotas eleitorais, deixa de disputar um mandato próprio para aceitar um lugar secundário na chapa. Não como protagonista, mas como uma solução de conveniência.

A avaliação também encontra eco nos bastidores do governo federal. Segundo a revista Veja, aliados de Márcio França admitem que ele recebeu com resignação a decisão de ser escalado para a vice de Fernando Haddad. A publicação afirma ainda que a mudança de ministério também ocorreu contra a vontade de França e foi encarada por ele como mais uma decepção na aliança com o presidente Lula. 

A revista Veja acrescenta que, dentro do próprio governo, a avaliação é de que França entregou bem menos do que se esperava, ficando muito aquém do desempenho de Geraldo Alckmin e Simone Tebet, que antes das eleições de 2022 eram vistos como figuras externas ao núcleo do PT.

A ironia é inevitável. Durante anos, Márcio França tentou convencer o eleitor de que era o nome capaz de liderar São Paulo. Agora, a própria formação da chapa transmite a impressão oposta: não foi a primeira escolha, não fazia parte do plano inicial e acabou surgindo como alternativa quando outras opções não prosperaram.

Márcio França parece viver em busca de espaço político, ameaçando lançar candidatura com o seu suposto “cacife eleitoral”, apesar de acumular três derrotas consecutivas, desde 2018. Como um jogador amador, blefa sempre muito alto para terminar com sobras modestas, como o Ministério da Microempresa, que muitos críticos afirmam ter sido criado para acomodá-lo politicamente e onde acabou recebendo o apelido de “Micro Ministro”.

Na eleição de 2022, por exemplo, lançou-se candidato ao governo, criando dificuldades para a estratégia de Fernando Haddad. Depois desistiu da disputa e aceitou concorrer ao Senado pela coligação com o PT, sendo derrotado pelo folclórico astronauta Marcos Pontes. Na negociação, conseguiu indicar sua esposa, Lúcia França, para a vice na chapa de Haddad. O constrangimento foi tão grande que ela praticamente nunca apareceu ao lado de Haddad nos palanques da campanha.

Na política, há momentos em que uma reportagem consegue resumir uma carreira inteira em poucos segundos. O Facebook do Jornal da Globo mostrou exatamente isso. Sem recorrer a adjetivos, revelou o tamanho do constrangimento político vivido por Márcio França ao aceitar e ocupar o mico cargo de vice.

O problema para França é que a internet não costuma perdoar esse tipo de situação. O que deveria ser apresentado como uma demonstração de força acabou reforçando a narrativa de um político que coleciona derrotas, reduz suas pretensões e aceita ocupar um espaço muito menor do que aquele que dizia merecer.

Quem sonhava chegar ao Senado acabou sentado no banco do carona. Para muitos observadores da política paulista, a cena fala por si e vale mais do que qualquer slogan de campanha.

Veja no link a integra do comentário nas mídias sociais do Jornal da Globo:

https://drive.google.com/file/d/1q6B3NVByIavl1ytKnqm81cE1j_F2LcNd/view?usp=sharing

Comentários

  1. Avatar de Paulo
    Paulo

    Um horror este aproveitar ser o vice.
    Voto no 13 sempre but descapitalizado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *