Márcio França: o sapo que pode virar o maior mico de Lula em 2026

França colocou seu nome “à disposição de Lula”. O problema é justamente esse. Ao engolir o sapo político chamado Márcio França, Lula pode acabar transformando o sapo num mico eleitoral (Charge feita por IA)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode cometer em São Paulo um erro político monumental: permitir que Márcio França volte a ocupar espaço central na chapa de Fernando Haddad em 2026 como candidato ao Senado.

Há anos Márcio França tenta sobreviver eleitoralmente se pendurando nas alianças do PT e no capital político de Lula. A cada eleição, reaparece tentando impor o próprio nome — ou o de familiares — em alguma composição majoritária, como se ainda carregasse a força eleitoral que imaginou possuir depois de assumir o governo paulista em 2018.

Ali nasceu o primeiro grande equívoco político de França: acreditar que os votos anti-Dória eram votos “dele”. Não eram e nunca foram. As sucessivas derrotas eleitoras do Partido Socialista Brasileiro (PSB) de Márcio França e de seus familiares, provam isso.

Em 2018, perdeu o governo do Estado para João Doria. Ainda assim, saiu da disputa convencido de que havia se tornado uma liderança estadual consolidada. Desde então, o que se viu foi um lento e contínuo processo de erosão eleitoral.

A primeira confirmação veio em 2020. França disputou a Prefeitura de São Paulo pelo PSB e terminou apenas na terceira colocação, fora do segundo turno, com pouco mais de 13% dos votos válidos. Mas a pior humilhação política, porém, ocorreu em 2022.

Para evitar disputar novamente o governo paulista, Márcio França articulou a indicação da própria mulher como vice na chapa de Haddad e lançou-se candidato ao Senado. O resultado foi devastador: perdeu para o astronauta Marcos Pontes — um candidato tratado por muitos adversários como folclórico e politicamente improvável. E o mais simbólico: França perdeu justamente força em sua própria base histórica, a Baixada Santista.

França descobriu, eleição após eleição, que os votos ‘anti-Dória’ nunca foram realmente dele.

Em 2024, percebendo o desgaste eleitoral, Márcio França preferiu não disputar nenhum cargo. Atuou nos bastidores do PSB e participou das articulações da candidatura de Tabata Amaral à Prefeitura de São Paulo.

Foi aí que reapareceu outra marca que há anos acompanha seu nome nos bastidores políticos e empresariais: a fama de não honrar compromissos financeiros.

Segundo reportagens da Folha de S.Paulo e do Estado de S.Paulo, o marqueteiro argentino Pablo Nobel abandonou a pré-campanha de Tabata após atrasos de pagamentos, dificuldades financeiras e impasses internos no PSB paulista, então controlado politicamente por França.

Mas os problemas envolvendo dívidas e cobranças atribuídas ao grupo político de Márcio França não começaram ali.

Em 2022, a revista Veja revelou ação de cobrança envolvendo a agência GoBuzz, que trabalhou na campanha de França em 2018. A dívida teria chegado a cerca de R$ 340 mil. A cobrança foi parar na Justiça, enquanto o PSB alegava dificuldades financeiras e falta de repasses partidários.

No mesmo período, empresas do setor de comunicação e produção também passaram a cobrar valores milionários ligados à campanha estadual de 2018.

Uma das cobranças envolve cerca de R$ 1,6 milhão devidos à Produtora Infiniti, responsável por trabalhos de produção durante a campanha ao governo paulista.

As cobranças judiciais e relatos de inadimplência passaram a corroer politicamente a imagem do socialista oportunista Márcio França dentro das próprias alianças de esquerda.

Nem Fernando Haddad teria escapado do desgaste político provocado por França emn 2022. Na campanha Haddad evitou a presença da vice Lúcia França

Durante o segundo turno de 2022, a TV Record exibiu reportagem mostrando cobrança judicial relacionada a uma reforma em um apartamento de cobertura na Ilha Porchat, em São Vicente, imóvel associado à família França. A ação envolvia aproximadamente R$ 60 mil em serviços de reforma supostamente não quitados.

O episódio ganhou enorme repercussão porque ocorreu exatamente durante a fase decisiva da disputa entre Haddad e Tarcísio de Freitas. Enquanto isso, outro detalhe chamava atenção: oficialmente, Márcio França declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não possuir imóveis em seu nome durante a campanha ao Senado em 2022, embora imóveis aparecessem vinculados à esposa, Lúcia França, vice na chapa de Haddad.

Agora, em 2026, França tenta mais uma vez sobreviver politicamente pressionando para ocupar uma vaga ao Senado na chapa ligada ao PT. Mas dentro do próprio campo lulista cresce a resistência.

A realidade chegou, dura e cruel, para Márcio França

Pesquisa divulgada em 18 de maio pelo Poder360 mostra a ex-ministra Simone Tebet (PSB) na liderança da disputa ao Senado por São Paulo, com 24% das intenções de voto. A deputada federal Marina Silva (Rede) aparece com 23%, em empate técnico com Tebet. Já o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP)registra 18%.

O socialista oportunista Márcio França (PSB) segue desidratado e perdendo cada vez mais espaço entre os eleitores anti-Doria e já está empatado, dentro da margem de erro, com Ricardo Salles, do Novo, em quinto lugar, com 5 pontos, três a menos que França. Márcio França ainda vê crescer a aproximação de André do Prado (PL), que ocupa a sexta colocação e ameaça encurtar ainda mais a disputa.

Setores do PT avaliam que França se tornou um fator de desgaste eleitoral, político e até financeiro para qualquer composição majoritária em São Paulo. A preferência petista por nomes como Simone Tebet e Marina Silva demonstra exatamente isso: o receio detransformar um sapo político em um mico eleitoral.

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