Márcio França parece determinado a transformar a política paulista em um ciclorepetitivo de candidaturas frustradas. Caminha para a quarta tentativa consecutiva após três derrotas seguidas, insistindo em se apresentar como protagonista mesmo quando os resultados das urnas indicam o contrário.
Ainda assim, comporta-se como dono do Partido Socialista Brasileiro (PSB) em São Paulo — partido que presidiu e que hoje mantém sob influência direta ao transferir o comando ao próprio filho, Caio França — e tenta, mais uma vez, impor sua candidatura ao Senado na chapa de Lula e Haddad em 2026. Márcio França é o “sapo de 2026”, que será engolido ou expelido.
Nos bastidores, a pressão é evidente. Com Simone Tebet já posicionada para uma das vagas ao Senado e resistindo a outras composições, o PSB articula para garantir a segunda cadeira para Márcio França, mesmo diante de seu fraco desempenho em 2022, quando perdeu em todo o estado para o então pouco conhecido astronauta e político Marcos Pontes.
O grande problema da família França é que essa insistência não vem acompanhada de capital político renovado, mas sim de um histórico recente de derrotas e reposicionamentos oportunistas. Essa chapa “pura” do PSB ao Senado Federal enfrenta resistência contundente de outros partidos coligados ao PT.
França construiu a imagem de um político sem eixo claro: ora acena à esquerda, ora busca espaço à direita, sempre conforme a conveniência eleitoral. Essa flexibilidade excessiva, longe de ampliar seu alcance, consolidou a percepção de incoerência.
Os apelidos acumulados ao longo das campanhas traduzem bem esse desgaste. De “Márcio Cubas”, em 2018 — quando foi derrotado na disputa pelo governo estadual por João Doria — a “BolsoFrança”, em 2020, após acenos ao bolsonarismo e derrota na eleição para a Prefeitura de São Paulo.
Márcio França tentou de tudo. Passou até pela autodefinição dizendo ser “a direita da esquerda”. Sua trajetória recente é marcada por tentativas de adaptação que soam mais como oportunismo do que estratégia — o que lhe rendeu também a alcunha de “Socialista Oportunista”.
Em 2022, ao abandonar a disputa pelo governo para concorrer ao Senado, sofreu mais uma derrota, reforçando a imagem de instabilidade política — e passou a ser chamado de “Biruta de Aeroporto”, que gira conforme o vento, mas não se fixa em lugar algum.
Além disso, pesam sobre sua trajetória questionamentos sobre compromissos financeiros de campanha e relações políticas pouco transparentes, frequentemente citados por adversários e pela imprensa.
Ainda que essas questões estejam no campo das disputas políticas e judiciais, contribuem para desgastar sua credibilidade e dificultar alianças. Internamente, há sinais claros de resistência: setores do próprio PT e aliados veem sua insistência como um problema, não como solução.
Diante desse cenário, a pergunta que se impõe é direta: até que ponto Lula e Haddad estarão dispostos a bancar mais uma candidatura de Márcio França?
Em um ambiente político que exige clareza, consistência e capacidade de agregar, insistir em um nome marcado por derrotas sucessivas e ambiguidades pode representar mais custo do que benefício. A metáfora é inevitável: engolir ou expelir esse sapo pode definir não apenas a composição da chapa, mas o rumo político de toda a disputa em São Paulo.


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