Deputado Donato mira irregularidades na Sefaz-SP e expõe suspeitas de corrupção e descontrole

Desde 2023, o deputado estadual Antônio Donato (PT) desenvolve um trabalho de fiscalização na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, apontando irregularidades, desmandos administrativos e denúncias comprovadas de extorsão

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O deputado estadual Antônio Donato (PT) volta a exercer um papel central e incômodo para setores da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) ao expor, com firmeza, um ambiente marcado por suspeitas graves, descontrole administrativo e possíveis esquemas de corrupção. Seu novo ofício não apenas cobra explicações sobre servidores atuando no exterior em regime de home office, como também avança sobre denúncias recorrentes de extorsão bilionária envolvendo auditores fiscais.

Donato solicitou à Fazenda paulista esclarecimentos objetivos sobre irregularidades que vêm sendo divulgadas de forma recorrente pela imprensa e que colocaram a secretaria em evidência não apenas nas páginas de economia, mas também no noticiário policial e em programas voltados à segurança pública.

Além da atuação da Polícia e do Ministério Público, que resultou na prisão de diversos auditores fiscais — entre eles Artur Gomes da Silva Neto, apontado como principal operador de um esquema bilionário de extorsão —, chama atenção o caso de Alberto Toshio Murakami, auditor foragido, atualmente nos Estados Unidos, incluído na difusão vermelha da Interpol. Para o deputado, há ainda outras irregularidades que precisam ser devidamente esclarecidas.

O parlamentar aponta diretamente para o que considera o núcleo do problema: desmandos administrativos e falta de comando por parte do secretário Samuel Kinoshita. Em meio às denúncias de corrupção e extorsão, surgem informações de bastidores de que o subsecretário da Receita Estadual, Marcelo Bergamasco Silva — conhecido como “Milanês”, por manter residência com a família em Milão —, e o diretor de Arrecadação Tributária, André Weis, estariam no exterior, seja em férias ou em regime de trabalho remoto. O fato é que ambos não são vistos com frequência na sede da secretaria, na Avenida Rangel Pestana.

Diante desse cenário, o deputado formalizou questionamentos diretos ao secretário Kinoshita: “se existem normas ou autorizações que permitam o trabalho de servidores no exterior; quantos funcionários atualmente exercem suas funções fora do país e em quais condições, incluindo cargos, tipo de autorização e período de permanência; e se há investigações internas em andamento envolvendo auditores fiscais ou outros servidores por práticas ilícitas?”

Deputado Donato cobra transparência desde 2023

Além disso, o parlamentar cobra transparência sobre eventuais casos de extorsão ou irregularidades nos últimos cinco anos, questionando quantos auditores foram afastados, quantos permanecem em atividade e quantos sofreram punições administrativas, com detalhamento das penalidades aplicadas. As perguntas buscam dimensionar o alcance das suspeitas e verificar se há controle efetivo sobre a atuação dos servidores e a integridade da administração tributária paulista.

Trata-se de um movimento consistente de fiscalização que não começou agora. Ainda em 2023, o deputado Antônio Donato já havia apontado relações, no mínimo, questionáveis envolvendo o ex-secretário da Fazenda de São Paulo e do Rio de Janeiro, Luiz Cláudio Rodrigues de Carvalho, os auditores fiscais Marcelo Bergamasco Silva e Wildson Gonçalves de Melo, além de agentes ligados ao mercado de sonegação de combustíveis, em conexões que se estenderam ao estado do Rio de Janeiro durante o governo Wilson Witzel.

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