Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, uma pesquisa do Instituto Badra revela um retrato cheio de contrastes da vida das mulheres em São Paulo. Embora muitas reconheçam avanços nas últimas décadas, temas como violência, pressão estética e desigualdade profissional continuam presentes no cotidiano feminino.
O levantamento “Elas por Elas – Um retrato geracional da mulher paulistana”ouviu 520 mulheres de diferentes faixas etárias na capital paulista e mostra que, apesar das mudanças sociais, ainda há obstáculos significativos.
Um dos dados mais preocupantes está relacionado à segurança: 56,7% das entrevistadas afirmam evitar andar sozinhas à noite na cidade por serem mulheres.
A pesquisa também mostra que a pressão estética se tornou um dos temas mais sensíveis para as mulheres. Para 58,5% das entrevistadas, essa pressão aumentou muito nos últimos anos, enquanto outras 24,2% dizem que ela aumentou um pouco.
No mercado de trabalho, a percepção é de avanço, mas ainda longe da igualdade. Mais da metade das entrevistadas (51,7%) afirma que as oportunidades para mulheres melhoraram, porém, a desigualdade permanece grande.
Os dados também indicam mudanças nos papéis tradicionais. Para 34,6% das mulheres, o casamento não é essencial para a realização pessoal, enquanto 34,4% dizem que ele é importante, mas precisa estar equilibrado com outros aspectos da vida, como trabalho e amizades.
Apesar das dificuldades, a percepção geral é de progresso. Mais de dois terços das entrevistadas afirmam que a vida da mulher hoje é melhor do que no passado, embora ainda seja considerada difícil.
Realizada com mulheres de 18 a mais de 65 anos, a pesquisa traça um panorama das transformações e desafios da experiência feminina na capital paulista — um retrato que mistura avanços sociais com problemas que continuam a marcar a realidade das mulheres brasileiras.
“Os dados do levantamento se, por um lado, não revelam um flagrante conflito geracional – em termos de ideias e sentimentos – deixa claro que o processo de valorização da mulher, e em diferentes temas e áreas, ainda cobra uma maior evolução pensando em contrato social. Há déficits históricos que precisam ser resgatados. Especificamente no tema feminicídio isso fica ainda mais claro: não cabe impunidade e cabe educar os homens”, diz Mauricio Juvenal, analista de dados do Instituto Badra.


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