Grandes técnicos, vencedores e derrotados também. No futebol, até os gigantes perdem

Para acalmar os corações da torcida palmeirense, um olhar sobre as glórias, derrotas e legados dos maiores técnicos contemporâneos do futebol — com destaque para Abel Ferreira no Brasil

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Sir Alex Ferguson transformou o Manchester United na maior potência do futebol inglês moderno. Em 26 temporadas no clube, conquistou 13 Premier Leagues, duas Champions League e 38 títulos oficiais, construindo uma dinastia baseada em disciplina, renovação constante de elenco e competitividade extrema. 

Seu legado, porém, também foi moldado pelas derrotas. Ferguson perdeu finais europeias marcantes para o Barcelona de Guardiola e conviveu com períodos de reconstrução antes de alcançar o domínio absoluto. Ainda assim, encerrou a carreira como o técnico mais vitorioso da história britânica.

Arsène Wenger foi o homem que modernizou o futebol inglês. No Arsenal, revolucionou métodos de treinamento, alimentação e preparação física, além de impor um estilo ofensivo e técnico que marcou época na Premier League. Ganhou três Campeonatos Ingleses e sete Copas da Inglaterra, eternizado pelo Arsenal “Invencível” de 2003/04, campeão sem derrotas. 

Ao mesmo tempo, enfrentou longos períodos sem títulos nacionais, perdeu a final da Champions League de 2006 e sofreu críticas nos anos finais, quando o clube passou a competir em inferioridade financeira diante de rivais sustentados por grandes investidores.

Carlo Ancelotti construiu uma carreira marcada pelo equilíbrio e pela capacidade de administrar grandes estrelas. Campeão nacional nas cinco principais ligas da Europa e recordista de títulos da Champions League, o italiano consolidou sua reputação como especialista em torneios de mata-mata. 

Sua trajetória, no entanto, também foi marcada por campanhas irregulares em campeonatos nacionais. No Milan, por exemplo, conquistou apenas um Campeonato Italiano em oito temporadas, apesar do domínio continental. As derrotas em finais, especialmente a dramática perda da Champions de 2005 para o Liverpool, ajudaram a moldar a imagem de um técnico sereno tanto nas vitórias quanto nos fracassos.

José Mourinho emergiu como o estrategista mais provocador e competitivo de sua geração. Venceu Champions League com Porto e Inter de Milão, interrompeu hegemonias nacionais e construiu equipes conhecidas pela força defensiva e pela intensidade psicológica. 

No Chelsea, Real Madrid e Inter, acumulou títulos nacionais e europeus, além de consolidar a figura do técnico como protagonista midiático. Em contrapartida, sua carreira passou a registrar desgaste crescente nos últimos trabalhos. Manchester United, Tottenham, Roma e Fenerbahçe revelaram um treinador ainda competitivo, mas distante do domínio absoluto que exerceu no auge da carreira. O desafio agora é descobrir qual Mourinho surgirá no Real Madrid.

Pep Guardiola representa a consolidação do treinador como formulador de ideias. Desde o Barcelona, redefiniu conceitos de posse de bola, pressão alta e ocupação de espaços, influenciando o futebol mundial de maneira profunda. Conquistou ligas nacionais na Espanha, Alemanha e Inglaterra com impressionante regularidade, além de múltiplos títulos europeus. 

Seu sucesso, contudo, também é acompanhado por cobranças proporcionais ao investimento e ao talento dos elencos que dirige. Em diversas temporadas, especialmente na Champions League, Guardiola viu equipes amplamente favoritas serem eliminadas de forma inesperada. Ainda assim, mantém uma taxa de conquistas raramente vista na história do futebol contemporâneo.

Abel Ferreira transformou sua passagem pelo Palmeiras em uma das eras mais vitoriosas da história recente do futebol brasileiro. Contratado em novembro de 2020, o treinador português rapidamente rompeu a tradicional instabilidade dos clubes nacionais e alcançou um nível raro de longevidade e competitividade contínua. 

Em cinco temporadas e meia, tornou-se o técnico mais vencedor da história do Palmeiras, acumulando 11 títulos oficiais e consolidando uma geração marcada por regularidade, intensidade competitiva e protagonismo continental. 

O principal símbolo do trabalho de Abel foram as duas Libertadores consecutivas, conquistadas em 2020 e 2021, façanha inédita para o clube e rara no futebol sul-americano moderno. Sob seu comando, o Palmeiras também venceu dois Campeonatos Brasileiros, uma Copa do Brasil, uma Recopa Sul-Americana, uma Supercopa do Brasil e quatro Campeonatos Paulistas. 

Ao mesmo tempo, a trajetória de Abel também foi marcada por derrotas expressivas. O Palmeiras perdeu finais importantes, como a Recopa Sul-Americana de 2021, as Supercopas do Brasil de 2021 e 2024, além do Mundial de Clubes de 2021 para o Chelsea. 

Em competições nacionais, conviveu com eliminações traumáticas e vice-campeonatos que aumentaram a pressão sobre o treinador, especialmente nas temporadas em que o clube fez altos investimentos e não correspondeu às expectativas. 

Em 2025, por exemplo, o Palmeiras terminou o ano sem títulos pela primeira vez sob seu comando, acumulando vice-campeonatos no Paulista, no Brasileirão e na Libertadores.

Mas no balanço entre glórias e insucessos, Abel Ferreira é, por toda a sua trajetória no Brasil, um dos treinadores estrangeiros mais relevantes da história do futebol nacional. Venceu mais do que perdeu, suportou a pressão extrema do calendário brasileiro e transformou o Palmeiras em referência de estabilidade esportiva num ambiente tradicionalmente marcado pela volatilidade.

Abel Ferreira construiu, no Palmeiras, equipes reconhecidas pela disciplina tática, pela força mental e pela capacidade de decidir jogos grandes, mesmo sem apresentar um futebol exuberante do ponto de vista estético. O Palmeiras de Abel Ferreira está sempre decidindo e conquistando títulos.

lSeguindo a ordem do texto publico novamento a foto dos seis grandes técnicos do futebol mundial juntos

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