Uma nova ação será apresentada no Fórum de São Paulo onde a Brink’s Segurança e Transporte de Valores é acusada de operar à margem da estrutura societária formal da ACL Holding, proprietária de 26 postos de combustíveis. A Levi Holding, dona de 50% da ACL, afirma que a transportadora seguiu ordens de terceiros sem vínculo societário, ignorando os administradores oficiais e recolhendo — ou deixando de recolher — malotes de dinheiro conforme instruções externas.
A petição descreve o que classifica como um “comando paralelo” sobre a Brink’s, revelado quando a Justiça quebrou o sigilo das operações de coleta. Após essa decisão, a própria empresa admitiu ter cancelado coletas por ordem de outras companhias, que, segundo o processo, seriam ligadas a grupos empresariais investigados na Operação Carbono Oculto, uma das maiores ações de combate à lavagem de dinheiro atribuída a organização criminosa paulista – Primeiro Comando da Capital – PCC.
Segundo a Levi, a Brink’s teria transportado grande volume de dinheiro vivo, coletado nos postos, para destinos determinados por empresas que não integram a ACL e são citadas pela imprensa e por investigações oficiais como suspeitas de integrar redes de lavagem associadas ao PCC.
A ação afirma ainda que o esquema físico de retirada de numerário complementou o desvio digital operado paralelamente por uma fintech já investigada, gerando prejuízos milionários e neutralizando decisões de penhora determinadas por diversos juízes.
A autora sustenta que a Brink’s — por força da lei de prevenção à lavagem de dinheiro — deveria possuir contratos, ordens de serviço, mensagens, logs dos cofres eletrônicos, rotas dos carros-fortes e registros de entrega, documentos que agora pede que a Justiça obrigue a empresa a apresentar. O objetivo é reconstruir para onde foi o dinheiro, quem recebeu os valores e com base em que autorização essas coletas e entregas foram realizadas.
Para a Levi, o caso ultrapassa a disputa societária: revela a possibilidade de que uma empresa de transporte de valores tenha operado sob influência de grupos externos suspeitos de ligação com o crime organizado, ajudando involuntariamente — ou não — a movimentar dinheiro vivo fora dos canais regulares de controle.
Se o juiz determinar a exibição dos documentos e as suspeitas forem confirmadas, o caso pode se tornar um dos episódios mais graves já documentados sobre a infiltração de estruturas criminosas no setor de combustíveis e no sistema de transporte de valores.
A Brink’s respondeu essas informações do artigo afirmando que atua com total idoneidade e cumpre integralmente seus contratos, alegando que cláusulas de confidencialidade a impedem de divulgar qualquer detalhe de operações, parceiros ou atividades internas. Diz que, por isso, não comenta movimentações ou negociações de clientes.
A nota enviada pela Brink’s é absolutamente insuficiente diante da gravidade das acusações. A empresa recorre ao velho discurso genérico de “idoneidade” e “confidencialidade” para evitar responder ao ponto central: Por que seus carros-fortes teriam seguido ordens de terceiros sem vínculo societário, em operações que agora aparecem associadas a um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC?
Em vez de esclarecer, a Brink’s se esconde atrás de frases prontas, não nega os fatos descritos na futura ação e tampouco afirma ter colaborado com autoridades ou apresentado registros operacionais — exatamente o que está sendo questionado.


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