Lula vai se contradizer ao colocar a raposa no galinheiro?

Lula fez um discurso em que chamou a atenção da plateia para não colocar a raposa para tomar conta do galinheiro, pois ela vai comer até o galo

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Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou, em discurso recente, sobre o risco de “colocar a raposa para cuidar do galinheiro”, recorreu a uma metáfora clássica para ilustrar decisões políticas desastrosas. O problema é que, na prática, ele próprio pode caminhar exatamente nessa direção.

A eventual indicação de Márcio França para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, no lugar de Geraldo Alckmin, expõe uma contradição evidente entre discurso e ação. Trata-se de uma escolha que não apenas ignora sinais claros de desgaste político, como também desconsidera um histórico marcado por episódios controversos.

Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda de França, possui baixa representatividade no Congresso Nacional — 16 deputados federais e cinco senadores — e atravessa um período de fragilidade política. Ainda assim, articulações tentam ampliar seu espaço no governo federal, mesmo sem lastro político proporcional.

A trajetória recente de Márcio França ajuda a explicar por que essa possível promoção soa temerária. Desde 2018, o político acumula derrotas eleitorais sucessivas em São Paulo, acompanhadas de denúncias recorrentes de inadimplência em campanhas. 

Charge ilustrativa  de Márcio França respondendoseus processos judicialmente

Agências de marketing, produtoras e prestadores de serviço relatam atrasos e calotes, alguns já reconhecidos judicialmente. O padrão se repete: serviços prestados, pagamentos não realizados e justificativas baseadas na suposta falta de repasses do fundo partidário.

O episódio envolvendo a campanha de Tabata Amaral em 2024 reforça esse histórico. Profissionais abandonaram o projeto diante de atrasos nos pagamentos, expondo desorganização financeira e falta de compromisso contratual. Não se trata de um caso isolado, mas de um comportamento recorrente, de Márcio França, na época, presidente estadual do PSB.

Foto da reforma da cobertura de Márcio França na Ilha Porchat. A imprensa noticiou que na época ele não pagou a empresa responsável pela obra

Na esfera pessoal, o quadro não melhora. Processos judiciais relacionados a reforma de alto padrão em sua cobertura na Baixada Santista, no edifício Ilha Porchat, que não teriam sido quitadas, ampliam o contraste entre discurso público e prática privada do socialista oportunista Márcio França. A imagem que emerge é a de um agente político que falha em honrar compromissos básicos.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar não apenas as derrotas eleitorais de França, mas também o desgaste progressivo do PSB. O discurso perdeu força, enquanto a prática passou a cobrar seu preço — político, eleitoral e reputacional.

O enfraquecimento ficou evidente dentro do próprio governo. França perdeu o Ministério de Portos e Aeroportos e foi deslocado para uma pasta de menor relevância, movimento interpretado como rebaixamento político. Em Brasília, o sinal foi claro: perda de prestígio e redução de influência.

A fragilidade se expôs ainda mais no episódio envolvendo Anderson Pomini,indicado por França para a presidência do Porto de Santos. Com a perda de força do padrinho político, Pomini rapidamente se aproximou do deputado federal Marcos Pereira, do Republicanos, aliado do grupo ligado ao bispo Edir Macedo.A mudança de lealdade escancarou o esvaziamento de poder de França: quando a estrutura enfraquece, até aliados próximos abandonam o barco.

PSB, por sua vez, segue perdendo espaço, ministérios e capacidade de barganha. O declínio de Márcio França tornou-se, em muitos aspectos, o retrato do declínio do próprio partido. Diante desse cenário, a possível promoção de França a um ministério estratégico levanta questionamentos inevitáveis. Não se trata apenas de uma escolha política, mas de um teste de coerência para o próprio presidente.

Se avançar nessa direção, Lula corre o risco de ignorar o próprio alerta que fez. Afinal, na política, como no ditado, quando se coloca a raposa no galinheiro, o desfecho raramente é surpresa.

Veja no link abaixo o trecho do discurso do presidente Lula alertando as pessoas a não colocar a Raposa dentro do Galinheiro:

https://drive.google.com/file/d/15E6kJDlvvJ_fWpkUW2An9OxqqmbPCT1A/view?usp=drivesdk

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