Máfia do INSS: Pomini e Lupi no centro do escândalo enquanto o governo Lula silencia

O noticiário do portal UOL coloca Anderson Pomini ao lado do ex-ministro Carlos Lupi no centro do furacão do escândalo bilionário que sangrou aposentados do INSS

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Máfia do INSS volta a assombrar o governo Lula com dois nomes que hoje se tornaram a bola da vez do escândalo: Anderson Pomini e Carlos Lupi. De um lado, o ex-ministro da Previdência citado em delação como responsável por ignorar alertas que permitiram que descontos ilegais saltassem para R$ 248 milhões sobre aposentados. De outro, o presidente do Porto de Santos, agora envolvido pela segunda vez em investigação ligada ao mesmo esquema bilionário.

Carlos Lupi deixou o ministério após ser citado como alguém que teria sido alertado sobre irregularidades e, ainda assim, não teria tomado providências eficazes. Já Anderson Pomini permanece no comando do porto mais estratégico do Brasil, o maior do Hemisfério Sul, mesmo depois de ter sido alvo de busca e apreensão, no ano passado, da Polícia Federal e de aparecer, agora, em relatório que apura repasses suspeitos ligados ao esquema de descontos indevidos em aposentadorias.

A nova revelação, publicada em 26 de fevereiro de 2026, acrescenta um dado explosivo: segundo a Polícia Federal, Pomini recebeu um cheque nominal de R$ 250 mil emitido por empresa apontada como intermediária financeira da Conafer— entidade investigada por operar descontos irregulares que desviaram centenas de milhões de reais de aposentados. De acordo com o relatório, o valor teria como destinatário final o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, identificado nas conversas como “Italiano”.

A empresa emissora do cheque de Pomini, To Hire Cars, é descrita na investigação como uma das intermediárias utilizadas no fluxo financeiro da Máfia do INSS. Conversas interceptadas indicam que o pagamento estava vinculado ao codinome atribuído a Stefanutto. Pomini nega irregularidades e afirma que os valores se referem a serviços advocatícios prestados ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). O partido, contudo, declarou que o trabalho teria sido pro bono e que não houve autorização para pagamento.

A relação de Pomini com o PSB não é circunstancial. Ele foi indicado à presidência do Porto de Santos por Márcio França, então ministro e presidente estadual do PSB, com quem manteve relação política e societária em escritório de advocacia. A proximidade entre ambos não é um detalhe periférico: é elemento central para compreender como o atual presidente do maior porto do país ascendeu ao cargo e por que sua permanência, mesmo sob investigação, expõe o governo a questionamentos inevitáveis.”

Anderson Pomini entre Márcio França e Geraldo Alckimin, os dois ministros da cota do Partido Socialista Brasileiro (PSB) que participam do governo do presidente Lula

Não se trata de um detalhe periférico. Trata-se de investigação formal no Supremo Tribunal Federal (STF), dentro da Operação Sem Desconto da Polícia Federal. E não é a primeira vez que o nome de Pomini surge no contexto da Máfia do INSS. O ponto central, porém, envolvendo Pomini vai além da apuração criminal: é institucional e estratégico.

Anderson Pomini preside a Autoridade Portuária de Santos desde 2023. Está à frente do Porto de Santos justamente quando o governo prepara o megaleilão do Tecon Santos 10, a maior concessão portuária do Hemisfério Sul, estimada em cerca de R$ 40 bilhões em investimentos ao longo de 25 anos.

O país tenta atrair gigantes globais da logística, convencer fundos internacionais e oferecer segurança jurídica para um ativo que é espinha dorsal do comércio exterior brasileiro. Nesse cenário, a credibilidade do comando da estatal não é detalhe — é condição essencial.

Paralelamente às investigações da Polícia Federal, pesam contra Anderson Pomini denúncias formais feitas pelo senador Alexandre Giordano em fevereiro de 2024. O requerimento do Senado Federal descreve suspeitas de favorecimento a empresas, contratos sem licitação e, na acusação mais grave, a suposta existência de pagamento de cerca de 1 milhão de dólares para garantir a permanência de Pomini no cargo após mudanças no Ministério de Portos e Aeroportos.

Senado Alexandre Giordano e Anderson Pomini

As denúncias foram encaminhadas à Controladoria-Geral da União (CGU). Dois anos depois, o governo não apresentou à sociedade uma resposta clara e conclusiva sobre o desfecho dessas acusações feitas por um senador da República.

Ao mesmo tempo, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ)suspendeu dois contratos de transição em áreas estratégicas do cais do Saboó das empresas Reliance e Port Master, alegando irregularidades. A punição envolveu a paralisação das atividades dessas empresas e investigação da gestão do Porto de Santos.

Temos, portanto, um presidente de autoridade portuária, Anderson Pomini, sob investigação da Polícia Federal, sob denúncias formais de um senador da República e sob questionamentos regulatórios em contratos sensíveis ao maior projeto de infraestrutura portuária do país. E o que faz o governo Lula? Mantém Pomini no cargo e opta pelo silêncio.

A presunção de inocência é um pilar do Estado de Direito. Mas a responsabilidade política e administrativa também é. Afastamento cautelar não é condenação antecipada; é proteção institucional. Se Carlos Lupi deixou o ministério após ser citado em delação, por que Anderson Pomini, alvo de busca e apreensão em investigação sobre um esquema bilionário que lesou aposentados, segue intocado na presidência do Porto de Santos?

O Porto de Santos não pode ser tratado como espaço de acomodação partidária entre o PSB, o Republicanos ou quaisquer aliados circunstanciais. Trata-se de um ativo de Estado. A maior concessão portuária do Hemisfério Sul exige blindagem institucional absoluta, transparência total e comando sem qualquer sombra.

Manter Anderson Pomini na presidência da Autoridade Portuária, diante da reincidência de seu nome no escândalo da Máfia do INSS e das denúncias que seguem sem resposta pública efetiva, fragiliza o processo e expõe o governo a uma pergunta inevitável: o que está sendo feito, de fato, para apurar tudo até o fim?

O silêncio do Planalto e do Ministério de Portos e Aeroportos deixou de ser prudência, está se tornando omissão política diante de fatos tão graves.

Vejam como as mídias sociais repercutiram o envolvimento de Anderson Pomini com a Máfia do INSS:

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