Márcio França: de Micro Ministro a Blogueirinho do Planalto no TikTok

Sem prestígio político e à frente de uma pasta inexpressiva essa charge de Márcio França mostra que ele usa tempo e estrutura pública do Governo Federal para fazer campanha antecipada para o governo de São Paulo em 2026

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Márcio França (PSB), o socialista oportunista, parece ter encontrado no TikTok a principal função de sua vida pública. Longe de despachar, negociar ou propor políticas efetivas no Ministério da Microempresa — criado apenas para acomodá-lo no governo Lula — ele tem se dedicado a gravar vídeos diários. No conteúdo, Márcio França ataca, sistematicamente, potenciais adversários e tenta construir uma narrativa para viabilizar sua candidatura ao governo de São Paulo em 2026.

A movimentação soa como campanha eleitoral antecipada disfarçada de “engajamento digital”. O detalhe é que tudo isso ocorre durante o expediente e com apoio de estrutura paga pelo contribuinte. Em vez de atender às micro e pequenas empresas, setor que enfrenta gargalos históricos de crédito, burocracia e informalidade, o “microministro” do Ministério Micro prefere investir no próprio marketing político. No lugar de ministro, Márcio França virou um tiktoker de gabinete, mais preocupado com curtidas do que com políticas públicas.

A falta de prestígio interno confirma a irrelevância do seu ministério. França foi rebaixado de um ministério estratégico e bilionário (Portos e Aeroportos), para uma pasta de “faz de conta”. A mudança foi interpretada até mesmo por aliados como sinal de desgaste e marginalização. Dentro do governo, colegas de Esplanada ironizam: chamam-no de “microministro”, em alusão ao nome da pasta e ao esvaziamento de sua influência.

Virou Blogueirinho do Planalto

Blog Diário do Poder, de Brasília, registrou recentemente esse isolamento. Segundo ele, em conversas reservadas, mas não tão secretas, lideranças do PT e do PSB paulista já discutem cenários para 2026 sem França na cabeça de chapa. Sem ter o que fazer no Governo Federal, Márcio França se transformou num “Youtuber de Repartição Pública” ou no “Blogueirinho do Planalto”.

O quadro expõe um dilema para o socialista oportunista Márcio França: de um lado, ele está como um ministro sem atribuições concretas; de outro, aparece em vídeos do TikTok como um pré-candidato em plena atividade, ainda que de forma oblíqua, com visibilidade financiada pelo cargo que ocupa no Governo Federal.

A fronteira entre comunicação oficial e autopromoção pessoal se dissolve, reforçando a percepção de que o espaço público virou trampolim para ambições eleitorais. No fim, a estratégia pode sair pela culatra. Entre a imagem de “tiktoker do Planalto” e a realidade de um ministério fantasma, Márcio França corre o risco de chegar a 2026 não como protagonista, mas como coadjuvante descartável no tabuleiro político paulista.

Márcio França, o socialista oportunista, gosta de posar como progressista, mas sua bússola ideológica sempre esteve quebrada. Já foi aliado da direita, já foi aliado da esquerda e, no fim, nunca foi de ninguém além de si mesmo. Não é coincidência que nos corredores da política paulista tenha ganhado o apelido de“biruta de aeroporto” – sempre girando para o lado de onde sopra os ventos do poder.

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