No Brasil, a responsabilidade política parece ter endereço certo — e São Paulo definitivamente não está no mapa. Enquanto em Brasília o escândalo do INSS derrubou um ministro em nove dias, na maior economia do país o governador Tarcísio de Freitas prefere a arte da encenação: discursos inflamados no WhatsApp diante das câmeras do celular, decretos “exemplares” e, nos bastidores, um silêncio conveniente que protege seus aliados mais próximos.
A operação Sem Desconto revelou um rombo de R$ 6,3 bilhões em aposentadorias e pensões. Resultado: em pouco mais de uma semana, caíram o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e o ministro da Previdência, Carlos Lupi. Em Brasília, a mensagem foi clara: responsabilidade política não é opcional.
Em São Paulo, a história beira o surreal. Com auditores fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (SefazSP) presos e um esquema de extorsão bilionária em pleno andamento, o governador decidiu seguir outro caminho: proteger os seus. Prova disso é o decreto assinado antes das prisões, que, ironicamente, reduziu as possibilidades de punição para o Subsecretário da Receita Estadual, Marcelo Bergamasco. Sim, o mesmo Bergamasco que, supostamente, deveria fiscalizar os fiscais.
E onde anda o subsecretário? Bom, parece que o contribuinte paulista financia não só os cofres do Estado, mas também os cappuccinos de Bergamasco em Milão. Enquanto os auditores montavam um esquema bilionário, o homem responsável pela fiscalização tributária gastava mais tempo na Itália do que na sede da Secretaria da Fazenda, na Avenida Rangel Pestana, no centro de São Paulo. Coincidência, claro.
O secretário da Fazenda, Samuel Kinoshita, completa 31 meses no cargo com uma marca notável: nenhuma medida efetiva contra a corrupção e a sonegação que floresceu sob sua gestão. E Tarcísio, como bom ator, continua a “interpretar” indignação diante dos holofotes e das câmeras de celulares, enquanto nos bastidores parece mais preocupado com o desgaste político do que com os cofres públicos.
A comparação com Brasília não poderia ser mais constrangedora. Na capital federal, o escândalo derruba ministros. Em São Paulo, a regra parece ser outra: quem falha, ganha blindagem. No fim, sobra ao contribuinte a conta bilionária — e, claro, o privilégio de assistir à indignação performática do governador em horário nobre.
Resta uma pergunta, que não quer calar: por que a queda foi rápida para Carlos Lupi, mas o tapete vermelho continua estendido para Samuel Kinoshita e Marcelo Bergamasco? Talvez a resposta esteja menos na política e mais no manual de sobrevivência de quem sabe dançar no palco sem nunca perder o foco das luzes e o balanço da música.
O vídeo a seguir mostra como o governador Tarcísio de Freitas preferiu se concentrar na punição de fiscais de menor escalão, sem mencionar a omissão de Samuel Kinoshita e de Marcelo Bergamasco, seus homens de confiança na SefazSP.
https://drive.google.com/file/d/1am4frQUp3Fe2aSX3FbmcdhoIpvw5hhta/view?usp=sharing
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